OS ZAGALOTES



o Bar do Fundo antes da invasão dos zagalotes
a zagalota de apelido da Silva, foto em revista cor-de-rosa, antes do photoshop

a zagalote de apelido de Sousa Dias da Silva ainda com as luvas calçadas
o zagalotinho Sousa Dias da Silva filho,  pouco antes de meter o pezito na água

a zagalote de apelido da Silva sem truques

ontem fui fazer o meu surf como habitualmente na zona do guincho - praia grande. fomos até ao Bar do Fundo, como habitualmente. esqueci-me que já era Maio. o bar estava cheio de zagalotes e zagalotas, nome dado pela malta que curte as praias e os bares daquela zona, aos senhores e senhoras vindas de lisboa e cascais.
essa gente esqueceu à muito as origens. de dedo estendido quando bebe uma chicara de chá ou café, fala como quem canta o fado do marquês da bejeka. a mãe porteira, o pai polícia, os Dias, os Pires, os Barros, os Silva, os Lopes,  para todos os efeitos são as zagalotas tugas com a mania das grandezas. dizem: - filho, vê bem com quem andas, não vás apanhar uma rapariga sem pais de família!

olham pra mim e perguntam:  - o querido chama-se como?
quando digo o meu nome, entopem: -  isso fica onde?
não é onde (esboço de sorriso), é o meu apelido, tia.
-  ah! o menino chama-se assim? como conheceu o meu filho?
não posso dizer onde conheci o seu filho (penso) ou a tia dá-lhe o desmaio. e digo: -  Nas ondas...

esta gente é do piorio, mal sabem eles e elas os comentários que fazemos nas costas dos zagalotes. na verdade, nem sabem que são zagalotes, nem o que a palavra implica. estão para ali com os peitos cheios de ar, com o dedo mindinho esticado, os oiros, os brilhos, os cremes, as putas da cirurgias plásticas, o botox, os chapéus enormes na cabeça a tapar o sol, os filhos zagalotinhos em forma de ostras constipadas, mergulham um pezito no mar e já a mãe zagalote grita: - oh filho vê lá cuidado com as bichas da água, vê lá não te constipes.

acabou-se o sossego nas praias do guincho, adraga (ai o peixinho tão fresquinho), das azenhas, na pequena e na grande, enfim, lá se foi os dias tranquilos nas esplanadas e restaurantes da zona.
pergunto: os zagalotes de Cascais, Oeiras, Estoril, Lisboa e arredores não poderiam ficar pelas esplanadas dos diversos paredões da linha de Cascais? poder podiam, mas não seria a mesma coisa. não incomodavam os pobres coitados sem sobrenomes de nomeada, os tais que curtem a vida.

ZAGALOTES!


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