Les Ambivalences








 "Que chegues ao céu meia hora antes do diabo saber que morreste" - provérbio irlandês

quando chegam ao que tinha sido o centro de Nova Iorque, o olho da cidade grande olha-os enquanto  Lucas se dirige em dialecto sunita ao indígena mais próximo. os fatos anti poluentes que vestem, começam a aquecer perigosamente. as comunidades divididas pelos conhecedores da memória e os enigmas Phoibos, partiram na procura do Antigamente. as mentes lembram a osmose nondum otto jubare; a torre, as lâmpadas fluídas dentro d'água, o enorme jardim onde os antigos humanos patinavam,onde rodopiavam aos pares ou sozinhos. resta agora um charco, onde um bote quadrado ocupado por três indígenas, recolhe plantas escuras, avançando a custo através dos restos da Grande Batalha.   Cassiel pondera a decisão de continuar ou abandonar a comunidade Verita, onde assumiu  o comando há mais de 30 anos. o tempo impreciso, deixou de ser o tempo de uma existência, apenas um número registado no cartão cibernético Grunge, no fundo, lá no fundo da recordação dos raios Alpha Média.

cinco mil, no mínimo, dançam no areal, comunidades de indígenas do porto Helios, construido no século XXI, o século da Grande Seca e da Destruição da Lâmina de Luz, levada a cabo pelo Senhor das Trevas, chamado de «Schinakel». histórias contadas pelos antigos profetas, Senhores do Saber e  Guardadores do Segredo.  Cassiel, guardador do segredo, tinha prometido guardá-lo até que um novo  Guardador aparecesse, criança com a Percepção dos Acontecimentos do Futuro: Um Adivinhador como ele.

Cassiel retira do saco Doberdob, a fotografia de Nova Iorque, dada pelo Senhor do Saber ou Messenger, como ele próprio se denomina. a fotografia retrata uma praça enorme com torres altas, muitos humanos na rua, luzes de cartazes, um homem loiro ri-se para a objectiva, enquanto a mulher ao seu lado esconde a cara. é uma festa de rua, assim parece a Cassiel. compreende que o sítio é aquele mesmo.
as horas, as horas, talvez, talvez não existam.
ali teria sido a Grand Square, onde o Raio da Destruição da Lâmina de Luz atingiu a Cidade no ano de 2017.

O Grande Olho da Cidade Grande, reflete a propaganda das grandes Redes Sociais, aquelas da comunicação entre os Humanos, as únicas a que tinham acesso, no Antigamente.
Cassiel vê uma mulher a sair do barco. a deformação do esqueleto mais que evidente, o rosto sem voz aparente, apenas olhos fundos e profundos. os longos braços magros  procuram qualquer coisa na lama, os panos que a vestem da cor do barro ou da lama. a luz escurece.
através de pensamentos consegue ouvir a mulher : és tu o Salvador?
Cassiel responde: - «amanhã estarás comigo no Paraíso»
a mulher não compreende, nem ouve.
qual o significado da frase?

de costas voltadas , Cassiel continua  à procura dos vestígios da antiga civilização,  restos enferrujados das armas do século XXI, enquanto recita Walt Whitman:

Não temas, ó Musa! Modos e dias verdadeiramente novos te recebem e rodeiam, 
Francamente reconheço uma raça muito singular, de um novo estilo,
E, contudo, é a mesma velha raça humana, a mesma por dentro e por fora,
Os mesmos rostos e corações, os mesmos sentimentos, os mesmos desejos,
O mesmo velho amor, a mesma beleza e os mesmos costumes.


talvez ele conseguisse levar a mulher dali para fora. tinha de ir à procura. tinha-o visto em imagens.
Havia campos e montanhas. Havia bosques e lagos.Talvez ele conseguisse levá-la para um lugar assim. Talvez arranjasse maneira de o fazer.

com rapidez toma o comprimido diário, Soylent Green, enquanto guarda os restantes no pacote de recuperação. Soylent Green, será que os humanos sabem de que são feitos?

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